Recordar é viver: Para sempre, Castilho
Paulo Cezar Filho em 02/02/10 - 14:14


Rio de Janeiro, 2 de fevereiro de 2010. 


Caro Castilho, estas linhas se dirigem àquele atleta que é, por si só, um símbolo do Fluminense Football Club. Há o distintivo, o pavilhão, a camisa, as três cores... e há você. Pelas fileiras tricolores já passaram centenas, milhares de atletas. Alguns gênios do esporte, tais quais Marcos de Mendonça, Welfare, Preguinho, Romeu, Batatais, Pinheiro, Didi, Telê e tantos outros. Mas nenhum deles defendeu tantas vezes o nosso Pavilhão quanto você.


Em quase 700 oportunidades, lá estava você, a guarnecer os arcos do Fluminense. E como o fazia bem: em mais de 250 oportunidades, sua meta não foi vazada, um recorde até hoje intacto. Os invejosos babavam: "é sorte! é sorte! Castilho é muito sortudo!". Mas nós sabemos que a sorte só acompanha aqueles que trabalham para merecê-la. E você é o maior exemplo disso, com aquela dedicação inabalável aos treinamentos. Nunca, em todos os tempos, houve goleiro que treinasse mais do que você. Antes de todos os seus companheiros chegarem ao campo, você já estava debaixo do gol, pulando para lá e para cá. Eles chegavam, treinavam, iam embora, e você ainda estava debaixo das traves, aperfeiçoando sua técnica.


Seu primeiro título pelo Fluminense teve sua fundamental participação. Na final do Torneio Municipal de 1948, estavam o Fluminense e o Vasco. Castilho, você tem a noção de que aquele foi o melhor time da história do Vasco? Veja essa linha de ataque: Djalma, Maneca, Friaça, Ademir e Chico. Naquele 30 de junho, em General Severiano, você parou essa artilharia pesada. O Fluminense venceu o Expresso da Vitória por 1 a 0, gol do Orlando, e sagrou-se campeão.


Em 1951, você liderava aquele time de garotos. Ninguém acreditava no dito Timinho, mas o Fluminense foi o campeão carioca, nas finais contra o Bangu, já em janeiro de 1952. Meses depois, os melhores times do mundo vieram ao Maracanã, e foram todos derrotados por vocês, o Sporting Lisboa, o Áustria Viena, o Corinthians, o Peñarol recheado dos uruguaios de 50. A Copa Rio é nossa maior conquista, e você era o goleiro. Castilho, Píndaro e Pinheiro, a Santíssima Trindade tricolor. O trio mais famoso da história do futebol brasileiro. Vocês eram a bastilha inexpugnável, como dizia o Nelson Rodrigues.


Ainda houve outras conquistas suas pelo Fluminense, os Cariocas de 1959 e 1964, o Rio-São Paulo de 1960. Além disso, você representava o Tricolor naquelas memoráveis Seleções, em 50, 54, 58 e 62. Nas duas últimas, você era o suplente. Porém, quando perguntado sobre o segredo de se manter em boa forma, o titular Gilmar dizia: "Castilho é meu reserva. Não posso respirar!". Acredite, Castilho: por trás de cada intervenção de Gilmar, havia as suas mãos. Você é tão responsável pelo bicampeonato quanto ele.


Hoje, nossas enciclopédias e nossos livros dizem que Carlos José Castilho faleceu em 2 de fevereiro de 1987. Mas Castilho vive. Em cada coração tricolor, existe um pedacinho de Castilho. E toda vez que o Fluminense entra em campo, ali está você, atrás da nossa meta, a orientar nosso goleiro. Assim será para sempre. 
 

Comentários (8)
1 Terça, 02 Fevereiro 2010 22:25
Pedro Caratori
"E toda vez que o Fluminense entra em campo, ali está você, atrás da nossa meta, a orientar nosso goleiro. Assim será para sempre."

Essa última parte é sensacional, de arrepiar.

Se Castilho não tivesse existido, nosso clube não teria essa dimensão.

Parabéns PC.
2 Terça, 02 Fevereiro 2010 22:43
Marcio Palma
O texto é comovente PC.
Parabéns.
Importantíssima lembrança de um de nossos maiores símbolos.

Uma novidade velha?
Aqeueles conhecidos beócios que infestam Álvaro Chaves não dedicaram uma linha sequer em homenagem a um ídolo tricolor que dedicou sua vida ao Fluminense.
Exemplo de profissional e responsável pela existência de muitos tricolores.
A memória do Fluminense está jogada às traças, como demonstra o sótão onde guardamos nossos troféus.
Castilho nosso que estás no céu, protegei o Fluminense!
Saudações Tricolores,
Marcio Gesteira Palma
3 Terça, 02 Fevereiro 2010 22:53
Paulo Cezar da Costa Martins Filho
Pedro e Marcio,

Muito obrigado pelos comentários e pelos parabéns.

"Se Castilho não tivesse existido, nosso clube não teria essa dimensão." - Concordo muito, Pedro.

Nem dez brasileiros na história chegaram a disputar 4 Copas do Mundo, e um deles é Castilho, conquistando 2 títulos e 1 vice. Uma pena que sua memória não seja reverenciada como merece.

Saudações Tricolores,
PC
4 Terça, 02 Fevereiro 2010 23:13
Marco Aquino
Castilho era ídolo incontestável. E que me ajudou a ser tricolor.

Meu primeiro Fla Flu no maraca, ele estava lá.

Meu primeiro campeonato carioca, ele estava lá.

Ídolo, simplesmente ídolo
5 Quarta, 03 Fevereiro 2010 10:08
Renata Jamús da Costa Pinto
De emocionar!

E se indignar com o nosso clube que nada faz para relembrar os ídolos eternos...

Lástima!

Pc, você manda muito bem!

ST
6 Quarta, 03 Fevereiro 2010 10:10
Lucas Porto
Minha mesa do botão tem nome, escrito com letras grandes em uma das laterais: "Estádio Monumental Carlos José Castilho".
O "estádio" não é nada monumental, mas era a homenagem que estava ao meu alcance. Uma pena os que podem render homenagens próximas de sua importância não o fazê-lo com a frequência que ele merece.
Belo texto, PC!
7 Quarta, 03 Fevereiro 2010 21:50
Paulo Cezar da Costa Martins Filho
Aquino, Renata e Lucas, muito obrigado pelos comentários.

É mesmo uma pena que o FFC deixe passar uma data como essa sem uma citação sequer ao seu maior ídolo.

ST!
PC
8 Sexta, 05 Fevereiro 2010 14:26
Francisco Jose´Sampaio dos Santos
Este exemplo de atleta, esteve aqui no Pará
jogando e depois treinando a equipe do Paysandú
O meu pai teve a honra de jogar e depois ser comandado por ele. Vale o registro!
Sou tricolor de coração
Abraços!
Francisco Santos - Belém do Pará

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